Às vezes um paciente chega no consultório com a sensação de que já tentou tudo. Fisioterapia. Pilates. Remédios. Injeção. Nada sustentou o alívio. Esse costuma ser o momento em que a radiofrequência entra como opção.

E eu entendo a desconfiança. Um nome técnico assim levanta perguntas: vai doer? É cirurgia? Fica permanente? Vou explicar tudo aqui.

O que é radiofrequência?

Radiofrequência é uma técnica que usa uma corrente elétrica de alta frequência — não, não choca — para gerar calor em um ponto muito preciso próximo a um nervo. Esse calor interrompe temporariamente a capacidade daquele nervo de transmitir o sinal da dor.

É como um "interruptor" da dor. O nervo fica inativo por um período, sem ser destruído permanentemente. Com o tempo, ele pode se regenerar — mas enquanto isso, a dor some ou reduz muito.

Em termos simples: É como se a gente colocasse em "mudo" o nervo responsável por mandar a mensagem de dor para o cérebro. O procedimento é guiado por imagem para ter certeza de que acertamos exatamente no lugar certo.

Quais são os tipos?

Existem dois tipos principais que uso no consultório:

Radiofrequência convencional (RF térmica)

Gera calor entre 60°C e 80°C no nervo-alvo. A interrupção é mais duradoura — de 6 meses a 2 anos em muitos casos. É a mais indicada para dores facetárias da coluna.

Radiofrequência pulsada (RFP)

Aplica pulsos elétricos sem gerar tanto calor. Não destrói o nervo — modifica como ele processa a dor. É preferida quando o nervo-alvo tem função motora importante (como no caso das raízes nervosas que controlam os membros).

Quando é indicada?

A radiofrequência é uma excelente opção quando:

  • A dor na coluna lombar ou cervical tem origem nas articulações facetárias
  • A dor sacroilíaca não responde bem a outros tratamentos
  • A nevralgia do trigêmeo causa dor facial intensa
  • Há cefaleia occipital crônica (dor na base da cabeça)
  • Tratamentos anteriores como injeções deram alívio temporário mas curto

⚠️ Importante: A radiofrequência é indicada após avaliação criteriosa. Não é indicada para todos os tipos de dor — por isso a consulta de avaliação é fundamental antes de qualquer decisão.

Como é o procedimento na prática?

Vou descrever exatamente o que acontece para você não chegar sem saber o que esperar:

  1. Você deita na mesa de procedimento — em posição confortável, de acordo com a área tratada
  2. Faz sedação leve — está acordado, mas relaxado e sem ansiedade
  3. Agulha fina é inserida — guiada por fluoroscopia (raio-X em tempo real) até o ponto exato
  4. Teste de estimulação — um leve estímulo confirma que chegamos ao nervo certo
  5. Aplicação da radiofrequência — dura alguns minutos por ponto tratado
  6. Você vai para casa — procedimento ambulatorial, sem internação

A duração total varia de 30 minutos a 1 hora, dependendo de quantos pontos são tratados. Você pode sentir algum desconforto nos primeiros dias — isso é normal, faz parte da resposta do tecido ao procedimento. O alívio costuma aparecer entre 2 e 4 semanas após.

A radiofrequência pode ser indicada para você?

Vamos conversar. Traga seus exames e me conta sua história — em 50 minutos eu consigo te dar uma resposta clara.

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Quanto dura o efeito?

A maioria dos pacientes fica entre 6 meses e 2 anos sem dor ou com dor muito reduzida. Quando o efeito diminui — e o nervo se regenera — o procedimento pode ser repetido com segurança.

Para muitos pacientes, o alívio durante esse período muda completamente a qualidade de vida. É tempo para dormir melhor, retomar atividade física, diminuir ou eliminar medicamentos.

Tem riscos?

Como qualquer procedimento médico, existem riscos — mas são baixos quando realizado por especialista treinado e em ambiente adequado.

  • Dor temporária no local por 1 a 2 semanas
  • Sensação de queimação ou dormência passageira
  • Raramente: infecção ou sangramento no local

Complicações sérias são raras. Antes do procedimento, conversamos detalhadamente sobre os riscos para o seu caso específico.

Resumindo

Radiofrequência não é mágica. É uma ferramenta precisa, respaldada por evidência científica, para um grupo específico de pacientes com dor crônica.

Se você está há meses (ou anos) convivendo com dor que não cede — e tratamentos convencionais já não funcionam — vale a pena avaliar se essa pode ser a sua opção.

Ficou alguma dúvida? Me pergunta — sem compromisso.